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O consultor financeiro Emanuel Gonçalves da Silva na mídia
colaborando com credores e devedores. Acompanhe entrevista exclusiva dada a
Revista Bens e Serviços com tiragem de 30 mil exemplares e distribuída para os
varejistas da FECOMERCIO - RS.
- A que o Sr. atribui o alto índice de inadimplência?
A vários fatores, além da crise que todos estamos passando
atribuo também a falta de um maior critério na hora de vender, é preciso avaliar
se o cliente está comprando aquilo que pode realmente pagar, o crivo na
concessão do crédito é fundamental.
- Li em um artigo que a pessoa tende a priorizar o
pagamento do bem ou serviço que entende não poder viver sem ele. O Sr. concorda?
Sim, pode ser, uma televisão ou uma geladeira são prioridades
mas isto somente se encaixa quando o consumidor ainda está organizado, ainda
está dentro do seu orçamento.
- Conheço também uma pesquisa que foi feito com devedores e o
maior índice entre suas contas a pagar apresentou a luz, tem que coisa mais
prioritária que energia?
Não
tem, mas. quem está endividado deve a luz, telefone, condomínio, faculdade, ou
seja, coisas essenciais a subsistência da pessoa.
- O que tem mais eficácia para evitar a inadimplência:
aplicar multas, sanções ou oferecer alguma vantagem para o pagamento pontual?
Não acredito que penalizar mais ainda
seja a melhor forma de cobrar. Sendo possível levantar a ficha cadastral de todo
devedor que estiver sendo cobrado vai ser verificado que eles devem a vários
credores. É financeira A, financeira B, banco A, banco B, enfim, até chegar a
esta situação o consumidor "torrou" seu crédito tentando pagar seus débitos
porque funciona assim: Primeiro eles usam o crédito para comprar e aí compram
mais que deveriam, compram acima de suas capacidades de pagamento, depois
eles usam o mesmo crédito, enquanto tem para fazer outros
financiamentos, empréstimos na tentativa de cobrir os excessos contraídos na
primeira etapa do consumo desenfreado, ou seja, criam dívidas para pagar
dívidas. Junta-se a esta realidade aqueles que compram dentro dos seus
orçamentos mas perdem seus empregos, emprestam nome para alguém e outros
imprevistos que acontecem no dia a dia de qualquer pessoa. Portanto, para não
ficar sem resposta objetiva sua pergunta acredito que a saída ainda é criar
atrativos com redução de juros, parcelamentos e outras motivações para estimular
os devedores a priorizar o pagamento dos seus débitos. Recebe primeiro quem
facilita mais, penso assim e procuramos transmitir isto em nosso site
www.sosdividas.com.br
- Uma postura muito compreensiva e tolerante pode
acabar criando uma imagem de “credor bonzinho” e, assim, desvalorizar o produto
ou a prestação de serviço, tendo um efeito diferente do desejado?
Pode sim, mas aí vem a experiência passada com aquele cliente
que vai ser levado em consideração nas próximas operações de crédito. Se deu
muito trabalho claro que deve-se evitar repetir e correr em busca de outros
consumidores.
- Há perfis de devedores:
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- Cliente que nunca paga na data, se nega a pagar
os juros, preferindo, na maioria das vezes, ir a cartório. Neste caso o que
fazer? Embutir o custo do atraso no preço?
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Pode ser, mas é preciso antes ver
esta questão da data. Conheço muitos casos que surgem todo dia de
consumidores reclamando que a data do seu vencimento não é exatamente no dia
ou logo após seus pagamentos e depois simplesmente muitos credores não mudam
a data para se encaixar e evitar este problema.
Claro que os casos contumaz, sem justificativa é
possível sim até ajusta o preço do produto pra compensar.
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- Tem aquelas pessoas que sempre atrasam os
pagamentos, mas não se importam de pagar os juros e acertar suas contas
antes de fazer um novo pedido. O lojista deve encarar os atrasos desse
cliente como um componente de seu perfil?
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Foi o que eu falei na resposta acima, o histórico de
pagamento do cliente tem que ser avaliado nas próximas operações e se afeta
o credor claro que o crivo se faz necessário, claro, cada caso é um caso.
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- Há situações em que o cliente sempre pagou em
dia, mas que vem enfrentando problemas de fluxo de caixa e procura
renegociar prazos. O processo de negociação é uma boa saída e torna o
lojista até um aliado do devedor em um momento difícil?
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É fundamental este procedimento, principalmente aos que
pagam em dia e até aos que pagam com atraso também para identificar os
motivos destes atrasos. É comum na grande maioria dos credores, depois que a
venda foi feita não ter um tratamento de avaliação na origem da
inadimplência e no curso desta mesma inadimplência. Na venda usam até a
excelência, mas depois.
- Que estratégias se pode utilizar para não perder
clientes por causa da inadimplência? Como cobrar sem comprometer a fidelização
do cliente?
Tratar com a mesma postura que o cliente foi tratado na venda
para cobrar. O normal é carinho na venda e rigor na cobrança e esta pratica em
minha opinião está com seus dias contados. A inadimplência não é um problema
somente do consumidor ser ou não mal pagador, é um problema social, é um
problema de um sistema financeiro que pratica o maior juros do mundo, é um
problema de faltar a maioria dos consumidores cultura orçamentária, fazer
contas, educação de consumo e isto precisa ser passado, precisamos contribuir
positivamente para minimizar estas realidades e assim aos poucos vamos conseguir
reduzir estes índices de inadimplência em todo Brasil.
- Que tipo de cliente não vale apenas manter?
O devedor contumaz, aquele que realmente não gosta de pagar
ou que não demonstra qualquer comprometimento nas renegociações feitas.
- Depois de quanto tempo de vencimento da conta se deve
cobrar?
Pode-se cobrar até com 3 ou 5 dias em diante, mas não
necessariamente com aquele "ranso" de cobrar e sim com uma postura cordial,
educada.
- Quem deve fazer a cobrança (em casos de pequeno,
médio e grande empreendimento)? Que perfil o cobrador deve ter?
Um perfil que trate a cobrança como uma venda, aliás uma
venda mesmo só termina no recebimento, portanto a cobrança é nada mais nada
menos que uma extensão da venda. Não precisa ser necessariamente quem vendeu mas
é preciso que aquele que cobrar esteja preparado tanto quanto quem fez a venda.
- Resumo: Dicas que tu darias para cobrar, receber e
encantar o cliente? Imagine um devedor receber um parabéns pela passagem do seu
aniversário, quem ele vai dar preferência para pagar?
Claro que a este credor. Façam
campanhas, campanha do Bom Pagador, Café da renegociação, enfim, mobilizem seus
departamentos de cobranças com aquela motivação e ações de marketing que
costumam ser feitas na venda. Usem a criatividade para cobrar, receber e
consequentemente deixar o devedor encantado. EMANUEL GONÇALVES - Consultor de
Dívidas, escritor e Instrutor -
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Emanuel Gonçalves da Silva
Consultor de Dívidas / Tel.: 71 9949 9075 - 71 3198 9898
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